Atenção nas Praias: Como Identificar, Evitar e Escapar das Perigosas Correntes de Retorno
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| Imagem: Divulgação/NSRI |
O que são correntes de retorno e por que elas são tão perigosas
No verão, milhões de pessoas procuram as praias para descansar, se divertir e se refrescar. Porém, nem sempre o mar calmo é sinônimo de segurança. Um dos fenômenos naturais que mais causa acidentes é a corrente de retorno, também chamada de “repuxo” — um fluxo de água que corre rapidamente do litoral em direção ao alto-mar e pode arrastar banhistas desavisados.
O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná alerta que essas correntes ocorrem em praticamente todas as praias, inclusive em trechos que parecem inofensivos, e são responsáveis por uma grande parte dos afogamentos e resgates realizados anualmente.
Esses fluxos formam-se quando a água trazida pelas ondas precisa voltar ao mar. Esse “retorno” acontece de forma concentrada em canais estreitos, criando uma força que pode ser muito intensa mesmo em águas rasas.
Como identificar uma corrente de retorno antes de entrar no mar
Identificar uma corrente de retorno nem sempre é simples, mas alguns sinais visuais podem indicar sua presença:
- Água com cor diferente: áreas mais escuras ou turvas podem significar maior profundidade e fluxo de retorno.
- Ausência de ondas: se ao redor há ondas quebrando e em determinado trecho não há formação de ondas, pode ser um canal de corrente de retorno.
- Linha de espuma ou detritos rumo ao mar aberto indica movimento de água saindo da praia.
- Diferença na superfície: regiões com água aparentemente “mais calma” ou com textura diferente podem esconder o fluxo.
Sempre que possível, converse com um guarda-vidas antes de entrar na água, pois eles têm experiência e visão dinâmica das condições locais.
Orientações de segurança dos bombeiros para banhistas
O Corpo de Bombeiros reforça várias recomendações de segurança para reduzir o risco de acidentes ligados às correntes de retorno:
- Nade sempre em áreas monitoradas por guarda-vidas e entre as bandeiras indicadas como seguras.
- Respeite a sinalização e evite entrar no mar em pontos próximos a pedras, encostas ou estruturas fixas — locais propícios à formação de correntes.
- Evite ingerir álcool antes de nadar, pois ele reduz suas capacidades de reação em situações de emergência.
- Crianças devem permanecer sempre na área rasa e próximas de um adulto responsável.
- Se estiver com dificuldade, levante um braço para chamar atenção dos salva-vidas ou de outras pessoas na praia.
O que fazer se for pego por uma corrente de retorno
Entrar em pânico é um dos principais fatores que levam a acidentes graves no mar. A estratégia correta pode fazer toda a diferença:
• Se você sentir que está sendo puxado para o mar, não tente nadar diretamente contra a corrente em direção à praia. Isso causa exaustão rápida e aumenta o risco de afogamento.
• Em vez disso, mantenha a calma, flutue e recupere o fôlego. Tentar lutar contra a força da água costuma ser inútil e perigoso.
• A melhor tática é nadar paralelamente à costa até sair do fluxo da corrente. Quando estiver fora do canal de repuxo, você poderá orientarse melhor e voltar à praia com menos esforço.
• Caso não consiga nadar até fora da corrente, continue flutuando calmamente e chame por ajuda. Sinais como levantar um braço ou chamar por socorro podem acelerar o resgate.
Por que a informação e prevenção salvam vidas
De acordo com dados de resgates no litoral do Paraná, mais de 80% dos afogamentos estão relacionados a correntes de retorno, o que evidencia a necessidade de educação e alerta constante para banhistas e turistas.
Muitos acidentes poderiam ser evitados com atenção às orientações de segurança, sinalizações e observação das condições do mar antes de entrar na água. Esta conscientização deve ser parte natural da rotina de quem frequenta praias, especialmente durante a alta temporada.
Casos reais e impacto social
Todos os anos, casos de pessoas arrastadas por correntes de retorno ganham destaque na mídia e sensibilizam famílias e comunidades. Em muitas situações, mesmo nadadores experientes se surpreendem com a força desses fluxos e precisam ser resgatados. Por isso, a mensagem constante de guarda-vidas e órgãos de segurança é unânime: respeite o mar, não subestime as correntes de retorno e esteja preparado para agir com consciência.
A prevenção começa antes de colocar os pés na água: pesquisar as condições do mar, perguntar sobre áreas seguras e educar jovens e crianças sobre os riscos pode fazer a diferença entre um dia de lazer e uma tragédia.
Conclusão
As correntes de retorno são um fenômeno natural que pode transformar um momento de lazer em perigo fatal. Contudo, com conhecimento, atenção e seguindo as orientações dos especialistas e bombeiros, é possível reduzir substancialmente os riscos e aproveitar a praia com maior segurança. Observar a sinalização, conversar com salva-vidas, saber identificar zonas de risco e, sobretudo, saber como agir se for arrastado por uma corrente, são atitudes que podem salvar vidas.

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